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Familiares de Marielle e Anderson esperam apuração sobre mandante do crime

Os  dois presos na Operação Lume acusados de executar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, termo jurídico que indica algo desprezível, que causa repulsa, em razão da atuação política da vereadora.

O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio de Queiroz também foram denunciados pelo homicídio de Anderson Gomes e tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora de Marielle.

A coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), Simone Sibilio, afirmou, no entanto, que a motivação especificada na ação penal não inviabiliza que tenha havido um possível mandante e que outros motivos possam surgir. Sibilio afirmou ainda que nenhuma linha de investigação foi descartada. 

O MP informou que a operação que prendeu os dois acusados seria realizada na quarta-feira (13), mas em razão de um suposto vazamento, foi antecipada para terça (12). Os dois foram presos quando saiam de casa por volta das 4h da madrugada.

Ronnie Lessa é apontado pelo Ministério Público como o responsável pelos disparos que atingiram Marielle e Anderson. Elcio de Queiroz seria o condutor do Cobalt prata, de onde foram feitos os disparos.

Segundo o Gaeco, o policial militar Ronnie Lessa disse durante a prisão que tinha sido avisado. Ele foi preso portando três celulares no modo avião, prática, que segundo o MP, dificultaria um possível rastreamento.

De acordo com o MP, em um dos endereços alvos dos mandados de busca e apreensão, Ronnie Lessa tinha um verdadeiro arsenal de armas, o que confirmaria sua personalidade violenta.

O MP informou afirmou ainda  que não há prova contundente do envolvimento dele em milícias, mas investigações revelam possível participação em atividade paramilitar. E que o nome dele também já era conhecido de investigações de homicídios envolvendo contravenções.

Já o ex-policial militar Elcio de Queiroz  portava munição calibre 556 quando foi preso. Elcio foi expulso da Polícia Militar em uma investigação sobre a atuação ilegal de policiais em redes de jogos de azar em 2011.  Segundo o MP, Ronnie e Elcio eram parceiros, amigos de longa data, e ambos trabalharam no Batalhão do Choque. As promotoras do Gaeco informaram que os suspeitos já estavam sendo monitorados, e no carnaval eles estiveram em Angra dos Reis, andando de lancha e hospedados em uma casa alugada de alto luxo.

A família da vereadora Marielle Franco esteve presente na coletiva. A irmã de Marielle, Anielle Franco, afirmou que um grande passo foi dado, e que espera que se consiga descobrir se houve ou não um mandante do crime. 

A esposa de Anderson Gomes, Ágata Reis, também falou sobre as prisões. Para ela, a prisão de Ronnie e Elcio é só o começo e “ainda há muita coisa para ser descoberta e resolvida”. 

A ação do MP também requer indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor do motorista Anderson Gomes até completar 24 anos de idade. 

EBC

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