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Estigma associado a doenças mentais é obstáculo no tratamento psiquiátrico

Psiquiatra classifica como grave o julgamento e a falta de informação em relação às doenças mentais. Há quem deixe de buscar ajuda por “autopreconceito”

Jéssica Mayara

De alguma forma, durante a pandemia de COVID-19, muito se comentou sobre a necessidade de manter a sanidade mental em dia, haja vista o contexto social e mundial imposto por um vírus complexo, muito infeccioso e, algumas vezes, fatal.

O medo tomou conta da sociedade. Além disso, a inevitabilidade e imposição do isolamento social colocou à prova questões emocionais, uma vez que o contato com o outro se limitou a quase zero, exceto pela família. E, ainda sim, apenas em alguns casos. 

Porém, saúde mental sempre existiu, e as complicações oriundas do emocional humano, bem como o aparecimento de doenças e/ou transtornos psíquicos também. No entanto, o estigma – forte desaprovação de características ou crenças pessoais – em torno dessas patologias sempre se fez presente.

Um obstáculo muito forte para a cura ou controle psicológico, uma vez que a busca por tratamentos e ajuda terapêutica têm forte interferência. 

“Isso impede as pessoas de verem a psiquiatria de forma positiva e buscar um tratamento adequado. É grave, porque a própria pessoa que adoece emocionalmente não procura ajuda, muitas vezes, por ‘autopreconceito’ de que um transtorno psiquiátrico seja uma fraqueza, o que não é. O cérebro, assim como o coração, o fígado e outros órgãos, pode adoecer e é preciso buscar ajuda de um especialista para o tratamento adequado. Qualquer pessoa, em algum momento da vida, está susceptível a ter uma doença mental/emocional. O maior dano causado pelo estigma é a pessoa não conseguir buscar ajuda devido ao preconceito.” 

É o que diz o psiquiatra Guilherme Rolim. Segundo ele, os pacientes com algum transtorno mental podem, inclusive, “se fecharem” para a ajuda de pessoas próximas, por medo de não serem compreendidas e até mesmo de serem compreendidas e até mesmo de serem discriminadas.

Aos poucos, esse estigma deixado pela sociedade, ou mesmo criado pelo próprio doente, vai, então, deixando marcas, uma espécie de cicatriz no emocional de quem mais precisa de ajuda e de uma “mão estendida”.  

“É mundial. Ao longo da história, devido à falta de informação, os pacientes com doenças mentais eram vistos como loucos, pessoas sem juízo, que ofereciam risco e, por isso, deveriam ser excluídas da convivência social e do mundo do trabalho. E até os profissionais eram taxadas como médicos para doidos.”

Por isso, os pacientes evitam contar o que estão sentindo para as pessoas próximas, como familiares ou amigos, e acabam não procurando um tratamento. Elas têm medo de serem rotuladas como loucas, fracas ou de se viciarem nos medicamentos indicados para tratar a doença ou transtorno, entre outros preconceitos sobre o adoecer”, afirma o psiquiatra. 

Outro ponto levantado pelo médico capaz de interferir, e muito, na forma como a saúde mental é vista e o estigma criado a partir disso é o fato de que as pessoas associam os problemas psiquiátricos somente à esquizofrenia, doença que pode causar surtos, com presença de alucinações e delírios.

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